Paulo Frassinete Bezerra, carinhosamente imortalizado na memória do Seridó como Doutor Paulo Balá, viveu entre 1933 e 2017, constituindo-se como uma figura de relevância ímpar para o Rio Grande do Norte, cuja trajetória transcendeu as fronteiras da medicina para abraçar a historiografia, a política e a literatura regionalista. Filho de Silvino Adonias Bezerra e Maria Jesus Bezerra, e irmão de figuras notáveis como Dr. Silvino Bezerra e Dr. Zezé, Paulo Balá edificou sua vida sobre os pilares de uma sólida formação familiar e intelectual. Casado com Zélia Araújo e pai de quatro filhos — Cassiano, Flávia, Micaela e Julião —, ele soube conciliar a vida doméstica com uma atuação pública multifacetada, marcada pelo pioneirismo e pela excelência.
Sua formação profissional revela um intelecto inquieto e brilhante: foi médico, membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia e da Academia de Medicina do Rio Grande do Norte, além de professor da UFRN e fundador do prestigiado Instituto de Radiologia do RN. Contudo, foi no contato com a terra e com as gentes de sua Acari natal que Paulo Balá encontrou sua verdadeira essência. Apelidado de "o vaqueiro maranganha", ele nutria uma ligação visceral com suas raízes, materializada nas frequentes visitas à colonial Fazenda Pinturas. Esta propriedade, herança ancestral e cenário recorrente em suas memórias, simbolizava não apenas seu status social, mas o profundo afeto pelo chão de seus antepassados, incluindo o bisavô da jornalista Thaysa Galvão, sua prima. Sua dedicação a Acari também se manifestou na esfera política, onde atuou como vice-prefeito e prefeito em diversas ocasiões entre 1996 e 2000, granjeando o respeito unânime de correligionários e opositores.
No campo das letras, Paulo Balá erigiu um monumento à memória sertaneja. Ocupante da cadeira número 12 da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, sucedendo Oswaldo Lamartine de Faria, ele consolidou-se como um dos grandes memorialistas do estado. Sua obra, composta fundamentalmente por cartas-crônicas enviadas ao jornalista Woden Madruga e publicadas na Tribuna do Norte, foi compilada em cinco livros essenciais, como "Cartas dos Sertões do Seridó" e suas sequências. A crítica especializada, incluindo estudos acadêmicos como a dissertação de mestrado de Brena da Silva Dantas, aponta que a escrita de Bezerra rompe com estereótipos: ao invés de focar apenas na seca e na miséria, ele apresenta um Sertão multifacetado, celebrando os invernos fartos, a beleza da flora da caatinga e a alegria dos períodos de chuva.
Seu estilo literário, frequentemente comparado ao de gigantes como José Lins do Rêgo e Guimarães Rosa, caracteriza-se pelo resgate da oralidade e pela minuciosa descrição dos ofícios e viventes do sertão. Em suas páginas, ganham vida vaqueiros, artesãos, rezadeiras e o cotidiano das antigas fazendas, preservando um vocabulário rico e arcaísmos que conferem sabor e autenticidade à narrativa. Paulo Balá não se limitou a registrar a história dos "grandes homens"; ele deu protagonismo à cultura material e imaterial do Seridó, descrevendo desde a construção de cercas de pedra até a grandiosidade do Açude Gargalheira. Como bem observou o poeta Carlos Newton Júnior, suas cartas compõem uma obra memorialística fundamental para a literatura brasileira, eternizando um "sertão-de-nunca-mais" e garantindo que as futuras gerações compreendam a complexidade e a riqueza da identidade seridoense.
Júlia Pires Dantas (1933 - 1980) e João Antônio Dantas (1931 - 1977) tiveram os seguintes filhos:
Valdir Pires Dantas (Valdir Pires), casado com Lucília Pereira Dantas.
Valdecir Pires Dantas, casada com Josenaldo Rodrigues Guimarães.
João Antônio Dantas Filho (Joca Pires), casado com Ivonete Fernandes Dantas.
Valdeir Pires Dantas, casada com Paulo Guedes de Almeida.
Maria Valdair Dantas do Nascimento (Neneinha), casada com Antônio do Nascimento Filho.
José Valdemir Dantas (Zé Pires).
Francisco de Assis Dantas (o finado Chico Pires), casado com Socorro Fernandes Dantas.
Jairo Pires Dantas, casado com Nívia Januário Dantas.
Vânia Pires Dantas Hermínio, casada com Francisco Hermínio Neto.
Valteires Pires Dantas.
Valtemir Pires Dantas, casado com Vânia Maria de Castro Dantas.
Jandui Pires Dantas (Jandui Pires), casado com Maria Margarida Sampaio Dantas.
Dorgival Terceiro Neto nasceu na Fazenda Santa Maria, no município de Taperoá, na Paraíba, e desde a juventude revelou inclinação singular para os estudos, alcançando sistematicamente o primeiro lugar no Ginásio Diocesano de Patos. Em 1950, transferiu-se para João Pessoa, a fim de cursar o ensino clássico no tradicional Liceu Paraibano, onde se destacou não apenas pelo desempenho intelectual, mas também pela atuação no meio estudantil, exercendo a Tesouraria e, posteriormente, a Presidência da Casa do Estudante da Paraíba. Em 1953, ingressou na então Faculdade de Direito da Paraíba, iniciando, concomitantemente, sua vida funcional no Departamento de Estradas de Rodagem, onde galgou, gradatim, todos os degraus da hierarquia administrativa, desde auxiliar de escritório até escriturário, oficial administrativo, chefe de pessoal, assessor administrativo e, por fim, procurador.
Paralelamente à carreira administrativa, foi recrutado para a redação do jornal A União, órgão oficial do Estado, no qual exerceu as funções de redator, secretário, redator-chefe e diretor, consolidando-se como homem de imprensa e de ideias. Na Casa do Estudante, os colegas passaram a chamá-lo de “mister Dorge”, enquanto outros lhe atribuíam a alcunha de “Cabo Doge”, em alusão à autoridade, à disciplina e ao rigor organizacional que impunha aos seus comandados, auctoritate morum e firmeza de caráter.
Sua trajetória pública ampliou-se com o exercício dos cargos de subsecretário e secretário do Tribunal de Justiça da Paraíba, secretário-geral da Universidade do Estado, assessor especial do Conselho Estadual do Desenvolvimento, diretor de Crédito Industrial e Agrícola do Banco do Estado da Paraíba, prefeito da capital paraibana, vice-governador do Estado e, em seguida, governador da Paraíba, no período de 1975 a 1976. No magistério superior, ingressou na Faculdade de Direito da Universidade Federal da Paraíba como assistente do eminente civilista Mário Moacyr Porto, amigo fraterno, de quem também foi secretário no Tribunal e na Universidade. Lecionou Direito Civil e Direito Agrário, vindo a aposentar-se como professor daquela instituição, deixando como legado uma obra didática sobre Direito Agrário, já em sua terceira edição. Além disso, firmou-se como historiador, publicando numerosas reportagens nos jornais da capital e sendo autor do livro, hoje esgotado, Gente de Ontem, História de Sempre.
Suas raízes genealógicas mergulham profundamente no Seridó, pois tanto a avó paterna quanto a materna provinham daquela região: Maria Eliza Bezerra, natural de Acari, e Deolinda Vilar de Araújo, de Caicó. Entre seus ancestrais mais remotos, pelo lado materno, figuram Cosme Pereira, do Umari, e João Batista dos Santos, o segundo, da Fazenda Santa Rita; pelo lado paterno, destacam-se o major Bernardino Pires, de Acari, e o presidente da Província Tomaz de Araújo Pereira, o terceiro, todos descendentes diretos dos primeiros colonizadores do Seridó, cujos troncos familiares eram de origem europeia e migraram para o Brasil, especialmente para Pernambuco. Inserem-se, assim, na chamada época duartina, vinculando-se a figuras como Amau de Holanda, ao capitão Baltazar Leitão, herói da guerra holandesa, e ao casal Diogo Fernandes e Branca Dias, de Camaragibe, responsáveis por uma das primeiras gerações de audazes pioneiros do sertão potiguar. Nas terras europeias, essa linhagem remonta a Henrique von Holanda, barão de Renobourg ou Rhoenebourg e do Reno, conde do Sacro Império Romano-Germânico, casado com Margarida Florentz, irmã do Papa Adriano VI, ex stirpe clara et antiqua.
Em 1961, Dorgival contraiu matrimônio com a cirurgiã-dentista Marlene Muniz Leite, natural de Itaporanga, no Alto Sertão paraibano, que passou a assinar Marlene Muniz Terceiro Neto. Dessa união nasceram Germana Muniz Terceiro Neto Parente Miranda, arquiteta de renome na Paraíba e além de suas fronteiras, com projetos divulgados em revistas nacionais especializadas, casada com o engenheiro civil da UFPB José Sávio Parente Miranda, oriundo do Vale do Piancó; Dorgival Terceiro Neto Júnior, assessor jurídico do Tribunal Regional do Trabalho da Paraíba e advogado associado ao pai no Escritório Terceiro Neto, em João Pessoa; e Adriana Terceiro Neto Bernardo de Albuquerque, igualmente advogada no mesmo escritório, casada com o engenheiro João Bernardo de Albuquerque Júnior, filho do conhecido advogado, jornalista, poeta e escritor João Bernardo de Albuquerque, já falecido.
Dos antigos genearcas do Totoró, o coronel de milícias Cipriano Lopes Galvão e dona Adriana de Holanda e Vasconcelos, derivam nomes expressivos do jornalismo nordestino, como Dorgival Terceiro Neto, na Paraíba, e Cassiano Arruda, no Rio Grande do Norte; da política, José Augusto Bezerra de Medeiros e outros; do comando local de outrora, os coronéis Silvino Bezerra de Araújo e José Bezerra, da Aba da Serra; e, no campo esportivo, figuras como Oscar Schmidt.
Recorda-se, por fim, o alívio experimentado por amigos comuns de Dorgival e de Wilson quanto à suspensão da pena verbal penetrante de “mister Dorge”, aplicada à pele — coriacea — de Leite Braga, conhecido por Titola. Por volta de 1950, Braga destacou-se na efervescente política estudantil de João Pessoa, conquistando adeptos, aliados e seguidores, até alcançar a presidência da Casa do Estudante da Paraíba. Udenista convicto, foi absorvido pela engrenagem política liderada por Agripino e Argemiro, elegendo-se deputado estadual pela Assembleia Legislativa da Paraíba, com sólida base eleitoral no Vale do Piancó, sobretudo em Conceição. Contou, ainda, com o empenho decisivo da Casa do Estudante, através de colegas como Euclides Dias de Sá, Benedito Belo Vieira, Nequinho do Fabilício, Capi Maciel, o Cego Nitinho — criador da expressão “mister Dorge” em substituição ao “Cabo” —, Severino Bate-Bate, Napoleão, Nabor, José do Equador, José Belarmino da Nóbrega, Neguinho Luiz Gonzaga, hoje Gonzaga Rodrigues, Abílio Plácido de Oliveira, Evaldo Trajano, os Ararunas, os Bombeiros, a colônia dos potiguares, a grei do Piancó e o clã dos artistas e figurantes.
Entre dissidências e alianças, Osvaldo Duda, cameirista, destacou-se em campanhas memoráveis; mister Dorge seguiu Lucas Vilar Suassuna; Belarmino divulgava Braga e votava em Seráfico Nóbrega; Dantas Pinheiro, americista do Rio do Peixe, acompanhava Jacob Frantz, veterano da Revolução de 1930. Assim, Wilson Leite Braga, líder estudantil, deputado, prefeito da capital e governador do Estado, prossegue, por mérito e vocação, sua trajetória política como deputado federal pela Paraíba. Dorgival Terceiro Neto, por outro lado, com estilo próprio, ocupa lugar de relevo na trincheira cívica da terra dos Tabajaras e, nos momentos caóticos e nas horas minguantes, tem oferecido à Paraíba contribuição efetiva, pautada pela dignidade, competência e eficácia de comando que lhe são inerentes, pro bono publico. Quanto a Cassiano, salvo melhor juízo, espera-se dele a defesa da história dos fiéis e da terra de seus antepassados, relegada, segundo informes locais, pela administração paroquial da cidade. A Assembleia Legislativa da Paraíba emitiu nota de pesar pelo falecimento do ex-governador e ex-prefeito da Capital, Dorgival Terceiro Neto, 80, ocorrido nesta sexta-feira (12), em João Pessoa. O velório acontece no Palácio da Redenção, na Capital, neste sábado. O sepultamento será no domingo, no município de Taperoá.
A Assembleia Legislativa da Paraíba emitiu nota de pesar pelo falecimento do ex-governador e ex-prefeito da Capital, Dorgival Terceiro Neto, 80, ocorrido nesta sexta-feira (12), em João Pessoa. Ele estava internado no Hospital da Unimed há 30 dias. A causa da morte foram duas paradas cardiorrespiratória em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC). O velório acontece no Palácio da Redenção, na Capital, neste sábado. O sepultamento será no domingo, no município de Taperoá, onde ele nasceu em 12 de setembro de 1932.
O presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, deputado Ricardo Marcelo (PEN), destacou o caráter público do ex-governador. “Dorgival Terceiro Neto sempre teve como marca o seu perfil conciliatório e a sua atuação que estava acima de partido político. Trabalhou muito pela Paraíba e deixou seu nome marcado na nossa história. Foi um excelente administrador e não teve nada que maculasse sua imagem. Advogado e político, Dorgival também foi um homem de cultura, deixou a sua colaboração para a literatura. Nosso Estado perdeu um grande homem, mas seu legado fica para todos nós paraibanos”, afirmou.
O presidente da Academia Paraibana de Letras (APL), Damião Ramos Cavalcanti, disse que Dorgival Terceiro Neto “foi e sempre será um paraibano de destaque na vida social, política e cultural do nosso Estado”. “A convivência dos que fazem a Academia Paraibana de Letras fica subtraída da sua presença alegre, sincera e sobretudo inteligente. Todos estamos tristes”, declarou.
O presidente da seccional paraibana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PB), Odon Bezerra, afirmou que a advocacia paraibana está de luto com a morte de Dorgival Terceiro Neto. “Descanse em paz, a sua missão foi cumprida”, declarou Odon.
A presidente da Associação dos Procuradores do Estado da Paraíba (Aspas), Sanny Japiassú, registrou profundo pesar pelo falecimento do procurador aposentado Dorgival Terceiro Neto.
De acordo com a nota da Aspas, além de engrandecer os quadros da Procuradoria Geral do Estado, com seu talento, senso profissional e amor ao trabalho, Dorgival Terceiro Neto entrou para o seleto grupo dos grandes homens públicos do Estado pela atuação em todas as atividades que exerceu ao longo da vida, sendo exemplo em vida de tenacidade, determinação e dedicação à famíia. “Deixa um legado que honra a todos nós”, resumiu Sanny Japiassú.
O ex-governador deixa viúva Marlene Muniz Terceiro Neto, e os filhos Dorgival Terceiro Neto Júnior, Germana Terceiro Neto Parente Miranda e Adriana Terceiro Neto Bernardo de Albuquerque; oito netos e dois bisnetos.
Biografia
Filho de Melquíades Vilar e Eliza Vilar, Dorgival começou seus estudos na cidade de Patos, Sertão da Paraíba, no Ginásio Diocesano e, no ano de 1950, seguiu para a cidade de João Pessoa, onde concluiu seus estudos no Liceu Paraibano. Prestou vestibular para o curso de Direito, graduação que concluiu em 1957 pela Faculdade de Direito da Paraíba, hoje Universidade Federal da Paraíba (UFPB).
Sua carreira na política paraibana teve início no ano de 1971, quando foi nomeado pelo então governador Ernani Sátyro, prefeito da Capital. Em 1974, terminando seu mandato de prefeito, e foi eleito indiretamente vice-governador juntamente com o governador Ivan Bichara, assumindo o cargo de governador em 14 de agosto de 1978 a 15 de março de 1979, passando o cargo para Tarcísio Burity.
Após deixar o governo, Dorgival Terceiro Neto passou a trabalhar no jornal A União e tornou-se membro da Academia Paraibana de Letras. Assumiu a cadeira de número 07 na APL, em 17 de junho de 1999, tendo como patrono Arthur Achiles. Foi recepcionado pelo jornalista e acadêmico Luiz Gonzaga Rodrigues.
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