Dr. JOSÉ GERALDO BEZERRA (1925/2000) Filho de Silvino Adonias Bezerra. Esposo de Josefa de Araújo Bezerra (Fefa). Irmão do escritor Dr. Paulo Balá. Neto pela veia paterna de Félix de Araújo Pereira Filho, (1862/1937) e de Maria Getúlia de Araújo Galvão (1863/1925) a BEMBÉM que era filha do Cel. Silvino Bezerra de Araújo Galvão e Maria Febrônia de Araújo Galvão. Já o seu avô supramencionado era conhecido como o FÉLIX da Pendanga, ou Félix MARANGANHA, filho de Félix de Araújo Pereira, o Félix dos Garrotes. Dr. Zezé, dentista formado no Recife/PE foi parlamentar e o maior orador que Acari conheceu.
GENIVAL GONÇALVES DE MEDEIROS nasceu em 1925. Filho de Mário Gonçalves de Medeiros e de Porfíria Pires Galvão. Esposo de Edith Medeiros. Genitor de Roberta Medeiros. Engenheiro.
José Braz Filho destacou-se como uma das figuras mais expressivas da política e do desenvolvimento de Acari, no Rio Grande do Norte, deixando um legado marcado por sua atuação administrativa, por sua visão empreendedora e por sua profunda vinculação à cultura sertaneja. Nascido em 15 de janeiro de 1925, na Fazenda Acauã, zona rural do município, pertencia a uma das famílias mais tradicionais do Seridó potiguar. Era filho de José Braz de Albuquerque Galvão, o conhecido “Zé Braz Velho do Talhado”, e de Cantídia Auda Pires Galvão, e cresceu em um ambiente de fortes vínculos com a terra, a religiosidade e a vida comunitária, convivendo intensamente com seus irmãos Adalberto, João, Francisco, Natércia, Maria Eleonora, Maria de Lourdes e Cantídia Galvão.
Em 24 de junho de 1944, contraiu matrimônio com Adaltiva Pires Galvão, união que lhe deu estabilidade afetiva e sustentação moral ao longo de sua vida pública. O casal formou uma família sólida, da qual nasceram quatro filhos — José Braz Neto, Jarleno Braz Galvão, Jarbas Braz Galvão e Magnólia Galvão —, que se tornaram o alicerce de sua trajetória pessoal e política. Paralelamente ao ambiente familiar fortalecido, José Braz Filho dedicou-se com afinco à agropecuária e ao comércio, consolidando-se como proprietário de diversas fazendas, entre as quais Soledade, Ponta de Pedra, Flor, Pau Pedra, Machado, Saguim, Serra Verde, Nicolau, Acauã Velha, Sombras Grandes e outras. Atuou como criador de gado, comerciante de algodão e explorador da mineração de scheelita, atividades que evidenciavam sua capacidade empreendedora e seu talento para liderar, qualidades que o conduziram naturalmente à vida pública local.
Ingressou na política em 1951, elegendo-se vereador de Acari, e exerceu dois mandatos como prefeito do município: o primeiro de 1973 a 1977 e o segundo de 1983 a 1988. Em sua primeira administração, Acari recebeu o título de “Cidade Mais Limpa do Brasil”, reconhecimento que traduzia organização, eficiência e zelo pelos espaços públicos. No segundo mandato, promoveu obras e ações de grande alcance social, entre as quais se destacam a construção do Ginásio de Esportes Dr. Jorácio Mamede Galvão, a implantação do “Sopão” durante a grande seca do início dos anos 1980 e a edificação do Centro de Saúde Odilon Guedes. Pavimentou a Rua Dr. José Gonçalves e outras vias da periferia, idealizou uma feira coberta na mesma rua e ergueu a Escola Municipal Terezinha de Lourdes Galvão, além de ampliar creches e unidades escolares, tanto na zona urbana quanto na zona rural. Implementou, ainda, ações significativas de urbanização, com expansão da rede de iluminação pública, contribuindo para a modernização e a melhoria da qualidade de vida em Acari.
Sua relevância, entretanto, ultrapassou os limites da administração municipal. Nas décadas de 1970 e 1980, José Braz Filho destacou-se como grande entusiasta e principal promotor das vaquejadas de Acari, organizando eventos na zona urbana e na zona rural que movimentavam a economia local, fortaleciam o comércio e reafirmavam o vínculo do sertanejo com o gado, o campo e a identidade nordestina. Seu envolvimento com essa manifestação popular, tão profundamente enraizada no imaginário do interior, estendeu-se a diversas cidades do Seridó e do Rio Grande do Norte, confirmando-o como um incentivador incansável das tradições sertanejas.
Descrito pelos contemporâneos como homem íntegro, leal e profundamente comprometido com os interesses de sua terra, fez da política um instrumento genuíno de transformação social. Faleceu em 21 de outubro de 1996, deixando um legado de trabalho, dignidade e serviço público. Sua memória permanece viva no imaginário dos conterrâneos, despertando respeito e admiração entre os que acompanharam sua trajetória e entre aqueles que, mesmo à distância, reconhecem sua grandeza.
A força simbólica de José Braz Filho transcendeu os limites de Acari, tornando-se referência em grande parte do Nordeste. Seu nome, associado à cidade, abria caminhos e despertava cordialidade, como se comprova em inúmeros relatos reunidos por Joselito Jesus de Araújo. Em Arapiraca, Alagoas, um senhor de aparência sertaneja ofereceu-lhe um almoço generoso — comparado à mesa farta do próprio coronel — ao saber que o viajante era de Acari e, portanto, conterrâneo de Zé Braz. Em Bezerros, Pernambuco, durante uma abordagem policial, a intervenção de um transeunte identificado como “Brito Véi”, que prontamente reconheceu a origem acariense pela placa da D20, resultou na liberação imediata dos viajantes, sob a justificativa de que “gente de Zé Braz é minha gente também”. Em Cascavel, no Ceará, numa roda de dominó, o nome de Acari novamente evocou a figura do coronel, despertando perguntas e lamentações sobre sua ausência. Mesmo no Maranhão, em Icatu, durante uma festa de bumba-meu-boi, um homem recordou com entusiasmo sua passagem pela casa de Zé Braz em Acari, reforçando a rede de amizades que o coronel semeou pelo Nordeste — não apenas por sua atuação política, mas pela sinceridade que imprimia em cada relação.
A grandeza de José Braz Filho refletia-se na forma como cultivava amizades e alianças duradouras, e dizem que seu filho caçula, Jarbas Braz, seguiu-lhe os passos, espalhando a mesma semente de cordialidade e lealdade. A percepção viva desse legado aparece, de modo eloquente, nos comentários publicados no blog de Joselito Jesus de Araújo. Magnólia Fonseca recorda a dignidade com que Zé Braz e Dona Adaltiva educaram os filhos, bem como o respeito que ele demonstrava até mesmo aos adversários. Paula, filha de João Muniz, emociona-se ao rever sua fotografia, lembrando a importância do coronel para sua família. Iris Brandão de Araújo Leal, a querida Irinha, ex-Promotora de Justiça, rememora o apoio que recebeu do então prefeito, corroborando sua fama de político de valor. Marise Galvão evoca um carnaval inesquecível vivido em uma casa alugada por Zé Braz, revelando seu lado alegre e humano; Goretti e Das Virgens expressam o orgulho de serem conterrâneas do coronel; e Antão Lopes de Araújo Filho, o popular Lopinho, lamenta a diferença entre a dedicação exemplar de Zé Braz e a postura de alguns administradores atuais.
Familiares também reforçam essa imagem: José Braz Neto agradece a homenagem ao “pai terno, carinhoso e original”; Bruno Galvão emociona-se ao lembrar o afeto do avô; Andréa Braz ressalta sua sabedoria e equilíbrio; Rosalia Maria recorda como o nome de Zé Braz abria portas em outras cidades; Edson Assis agradece o apoio dado aos estudantes acariense, especialmente no transporte universitário; e Bruno de Dual relata o episódio em que Zé Braz, com coragem, salvou a vida de um gerente de banco, reiterando sua lealdade aos amigos. Já Leonardo Braz, neto do coronel, rememora a infância marcada pela liderança e generosidade do avô, que sabia acolher até mesmo aqueles que não lhe eram simpáticos.
A reconstrução histórica da família Braz, ancorada na tradição oral, em registros biográficos e na escrita memorialista, revela uma linhagem intrinsecamente ligada à geografia e à evolução social de Acari. Essa saga não se limita à sucessão genealógica, mas delineia um mapa de influências, propriedades e legados que atravessam gerações, remontando à figura emblemática do patriarca Francisco Braz — o conhecido Chico Braz —, estabelecido na localidade de Cauã. A memória coletiva o eternizou como símbolo de autoridade e vínculo telúrico com a terra, frequentemente lembrado sob a sombra do grande “chapelão” que compunha sua imagem. A casa do patriarca, distinguida por um jambuzeiro notável à porta, tornou-se marco da história local, transbordando sua função doméstica e assumindo o papel de ponto de referência do grupo familiar. Após sua morte, o imóvel testemunhou diversas fases, passando pelas mãos de Seu Diri, Seu Bilé e Dr. Aroldo, até retornar à descendência direta, sendo atualmente habitado por Jarbas, neto de Francisco e filho de Zé Braz, que mantém vivo, naquele solo, o elo ancestral.
A mobilidade territorial dos descendentes de Chico Braz, especialmente o deslocamento de Zé Braz de Cauã para o Talhado, representou a expansão estratégica da presença familiar no município. Dessa nova base, irradiaram-se influências e alianças ampliadas por seus filhos: Francisco, o “Zé Braz Novo”, que alcançou a prefeitura de Acari; Adalberto, que reforçou laços regionais ao casar-se com a filha de Mário Gonçalo de Medeiro; João Braz, que se dedicou à agronomia; e outros membros da família cuja trajetória, embora marcada por conquistas, também conheceu a dor das perdas precoces, como a de Chiquinho — possivelmente formado em Medicina — e a do próprio João Braz. Entre todos, coube às filhas a longevidade mais marcada daquele ramo familiar.
A consolidação econômica da família Braz passou pelo fortalecimento de seu patrimônio fundiário. A “A Solidade”, adquirida de Manuel Petronilo por Zé Braz Filho, exemplifica essa ampliação das propriedades, que se somavam ao simbolismo afetivo de Cauã e à centralidade do Talhado. Em tempos recentes, o destino econômico da linhagem encontrou novo impulso quando as terras de José Braz Neto revelaram-se ricas em recursos minerais, transformando o capital fundiário tradicional em fonte expressiva de prosperidade contemporânea.
Entretanto, a sobrevivência do legado familiar transcende o acúmulo de bens materiais. As gerações atuais, representadas por Jarbas e, de modo especial, por seu filho Leonardo, demonstram profundo compromisso com o patrimônio imaterial. Leonardo, advogado residente na região, assumiu o papel de guardião da memória familiar e, ao encomendar a elaboração de um livro sobre a história dos Braz, deu forma escrita à narrativa que, durante décadas, circulou pela oralidade.
Assim, a trajetória da família Braz espelha as transformações sociais de seu tempo: inicia-se com a figura telúrica de Francisco Braz em Cauã, expande-se politicamente e territorialmente com Zé Braz e seus descendentes, consolida-se economicamente com os recursos minerais descobertos por Zé Braz Neto e, por fim, perpetua-se intelectualmente pela iniciativa preservacionista de Leonardo. Do jambuzeiro do patriarca ao livro que nasce pelas mãos de seu bisneto, mantém-se firme a tradição de uma linhagem cujo legado permanece tão sólido quanto as terras que ocupou.
Adaltiva Pires Galvão (1925–2020)
filha de Horácio Pires Galvão e Ana Marcolina de Jesus, e esposa de José Braz Filho (1925–1996). Ela e seu marido tiveram quatro filhos: José Braz Neto, Jarbas Braz, Jarleno Braz e Magnólia Braz. Ela nasceu em 20 de janeiro de 1925, na Fazenda Carnaubinha, situada nas proximidades da Acauã Velha, onde nasceu o seu esposo.
Primos entre si, o casal integrava uma família tradicional e de reconhecida influência, cuja presença se fazia sentir de modo marcante no cenário político de Acari. O pai de Adaltiva exerceu o cargo de intendente municipal entre os anos de 1920 e 1923. Nesse ambiente de respeitabilidade social, disciplina familiar e apreço pelo saber, Adaltiva cresceu e formou-se, absorvendo valores que definiriam sua personalidade e orientariam a trajetória que viria a construir.
Sua ascendência remonta ao Major Antônio Pires de Albuquerque Galvão (1797–1857) e a Guilhermina Francisca de Medeiros Galvão. Este casal teve oito filhos, que formam a segunda geração dessa linhagem: Sérvulo, Antônio Júnior, Manoel, Teodora Maria de Jesus, Bernardino, Joaquim, Bellino e Ana Maria Ana de Araújo Pereira. O primogênito, Sérvulo Pires de Albuquerque Galvão, que faleceu em 12 de outubro de 1918, casou-se em 26 de novembro de 1855, na Fazenda Ingá, em Acari, com Josefa Bezerra de Jesus. Josefa, nascida em 4 de fevereiro de 1841 e falecida em 3 de janeiro de 1916, era filha do Capitão Cipriano Bezerra de Araújo Galvão e Isabel Cândida Bezerra de Araújo. Juntos, Sérvulo e Josefa geraram dezesseis filhos, que compõem a terceira geração da família.
O segundo filho do Major Antônio, Antônio Pires de Albuquerque Galvão Júnior (1823–1871), casou-se com Porfíria Alexandrina de Jesus em 7 de janeiro de 1847, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia, em Acari. Porfíria (1832–1862), filha de Antônio Pereira de Araújo e Maria José de Araújo, deu à luz nove filhos: Maria Benta, Antônio, Tomaz, Guilhermina Francisca de Medeiros, Ana Maria, Antonino Porfírio, Manoel, Francisca e Porfírio. Já Manoel Pires de Albuquerque Galvão (1824–1912), terceiro filho do Major, teve dois casamentos. O primeiro, em 31 de maio de 1850, foi com Maria Alexandrina de Vasconcellos, na Fazenda Juazeiro do Cipó, em Currais Novos. Maria Alexandrina (1833–1869), filha do Capitão Manoel Bezerra Galvão e de uma homônima, teve onze filhos com Manoel. Após ficar viúvo, Manoel casou-se pela segunda vez com Rita Regina Maria de Albuquerque, em 30 de setembro de 1869, na Fazenda Cascavel, em Currais Novos. Rita (falecida em 29 de janeiro de 1910), filha de João Ferreira de Miranda da Câmara e Joaquina Maria da Conceição, deu-lhe três filhos.
A única filha do Major Antônio Pires de Albuquerque Galvão, Teodora Maria de Jesus, casou-se duas vezes. O primeiro casamento, em 1845, foi com Antônio Pereira de Araújo Júnior, com quem teve dois filhos: Guihermina Maria de Jesus e Antônio Pereira de Araújo. Após ficar viúva, Teodora casou-se com o Coronel Joaquim Pereira de Araújo, em 1867. O quinto filho, Bernardino Pires de Albuquerque Galvão, falecido em 9 de junho de 1901, também se casou duas vezes. Em 26 de novembro de 1855, uniu-se a Francisca Bezerra de Jesus, na Fazenda Ingá, em Acari, com quem teve quatro filhos. Após o falecimento de Francisca em 1861, Bernardino casou-se novamente em 14 de janeiro de 1862 com Isabel Cândida da Conceição, filha de Cipriano Bezerra de Araújo Galvão e Isabel Cândida Bezerra de Araújo, com quem teve outros catorze filhos.
Dona Adaltiva, desde cedo revelou notável inteligência e dedicação aos estudos. Em 1940, aos quinze anos, foi admitida no Colégio Nossa Senhora das Neves, em Natal, instituição de grande renome destinada à formação de moças segundo valores cristãos e humanistas. Ali destacou-se como aluna brilhante, figurando entre as três melhores de sua turma, o que representava, à época, uma conquista excepcional para uma jovem oriunda do interior, em um contexto em que poucas tinham acesso à educação formal na capital. Sua vivência escolar em Natal abriu-lhe horizontes e consolidou sua formação cultural e intelectual.
No dia 24 de junho de 1944, uniu-se em matrimônio a José Braz Filho, com quem construiu uma sólida história de vida conjugal e familiar. Ao lado dele, exerceu com dignidade, discrição e profundo comprometimento o papel de primeira-dama do município, participando ativamente da vida comunitária e cultural de Acari. Sua atuação foi marcada pela sensibilidade às necessidades sociais, pelo envolvimento em projetos assistenciais e pela presença constante em eventos cívicos e celebrações religiosas. Mais do que uma figura de representação, Adaltiva era uma conselheira fiel, presença serena e equilíbrio decisivo na vida do marido, especialmente durante os dois mandatos de prefeito que ele exerceu, entre 1973 e 1977 e entre 1983 e 1988.
Nos bastidores da política, sua intuição social e olhar ponderado influíram de maneira silenciosa, mas essencial, nas tomadas de decisão do esposo. Mulher de espírito sociável e de apreço pela cultura, foi figura marcante nos tradicionais bailes do Municipal Clube nas décadas de 1970 e 1980, onde exerceu o papel de patronesse. Nessas ocasiões, expressava seu carinho pela juventude e pelas tradições da cidade, enxergando tais eventos não apenas como momentos festivos, mas como oportunidades de fortalecer laços comunitários e de celebrar a continuidade da vida social acariense. Assim, cultivadora de amizades duradouras, Dona Adaltiva era reconhecida pela gentileza, discrição e firmeza de caráter. Sua casa, construída com zelo e afeto, tornou-se referência de hospitalidade e união familiar. Como mãe e avó, foi um verdadeiro alicerce, transmitindo aos filhos e netos valores de respeito, humildade e generosidade, que se perpetuam como parte de seu legado.
Faleceu em 3 de novembro de 2020, aos 95 anos, deixando uma trajetória marcada pela serenidade, pelo amor ao próximo e pela fidelidade às raízes seridoenses. Embora tenha vivido de modo discreto, sua vida deixou marcas indeléveis tanto na história familiar quanto na memória coletiva de Acari. Ao lado de José Braz Filho, construiu um legado que transcende o tempo, unindo a força da mulher sertaneja à nobreza do silêncio que edifica e inspira.
Nascido em 6 de maio de 1925, na efervescente década de 1920, em Acari, Abílio Dantas de Araújo era oriundo da família Basílio de Araújo, da Ribeira do Acauã. Filho de Ludgero Deusdedith de Araújo e de sua terceira esposa, Ana Militana de Jesus, ele era o caçula de uma prole de sete irmãos: José, Joaquim, Luzia, Antônio, Josefa e Adélia.
Sua infância e juventude foram moldadas pelo ambiente do Seridó, onde se dividia entre o campo e a cidade. Foi educado sob os valores de uma família patriarcal, com base nos preceitos da lei e do cristianismo. Na juventude, a família se mudou para Cruzeta, onde Abílio conheceu e se casou com Edilia Galvão em 1948. A união, que perdurou por 73 anos, resultou em uma família numerosa, com oito filhos: Ivo, Ivone, Ivete, Ivanoska, Ivonete, Ivan, Ivana e Abílio Júnior. Ele se tornou um pai responsável, que legou aos seus 13 netos e 13 bisnetos um legado de honestidade e a crença de que o trabalho é o caminho para a realização dos sonhos.
Fascinado por automóveis, Abílio transformou sua paixão em profissão. Como caminhoneiro, viajou por todo o Brasil para sustentar sua família. É provável que tenha conhecido os mais diversos cantos e recantos da lendária Rio-Bahia. Seu espírito viajante lhe proporcionou uma vasta experiência de vida, que ele generosamente compartilhava com amigos e familiares. Após uma merecida aposentadoria, dedicou-se ao comércio.
Em busca de uma vida melhor para os filhos, a família se mudou de Cruzeta para Natal, onde ele residiu por mais de 50 anos na mesma casa, na Avenida Jaguarari. Sua presença marcante o tornou uma figura conhecida na vizinhança, e a casa onde viveu por tanto tempo é hoje um memorial de sua existência íntegra.
Abílio Dantas de Araújo, que viveu até os 96 anos, faleceu em paz em 11 de abril de 2021, cercado pela família. Como se costuma dizer, "morreu de velhice". Sua partida, a bordo de uma Mercedes ou de um velho Ford 29, foi para "além do infinito, onde a fé nos faz alcançar". Em sua memória, a certeza de que prestou uma justa homenagem e deixou um registro para a posteridade.



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