LUZIA LOPES GALVÃO (1906 - 1966) filha de Tomaz Lopes de Araújo Galvão. Tendo como irmã Maria Pires Galvão. JANÚNCIO NÓBREGA SANTA ROSA (1906/1996) filho de Cipriano Bezerra Galvão Santa Rosa e de Marianna Iluminata Bezerra Galvão Santa Rosa.
A trajetória de Antônio Othon Filho, luminar da história currais-novense nascido em 27 de novembro de 1906 na Fazenda Ilhota, município de Santa Cruz, confunde-se com a própria evolução urbana e cultural do Seridó potiguar. Mudando-se para Currais Novos ainda na infância, aos sete anos, ele construiu uma biografia marcada pela erudição e pelo serviço público, alicerçada em uma sólida formação intelectual obtida na tradicional Faculdade de Direito de Olinda e Recife. Graduado em 1932 na célebre "Turma do Centenário", teve como contemporâneos figuras da envergadura de Miguel Seabra Fagundes e Djalma Marinho, ambiente que lapidou seu senso de justiça e sua visão humanista. De volta ao sertão, Dr. Niton, como era popularmente conhecido, não se limitou à advocacia, que exercia muitas vezes em prol dos desvalidos; sua mente inquieta e multifacetada o levou ao magistério, lecionando Geografia e Matemática, e até à astronomia amadora, revelando um espírito curioso e à frente de seu tempo.
Sua vida pública atingiu o ápice administrativo durante sua breve, porém revolucionária, gestão como prefeito de Currais Novos, entre abril e novembro de 1945. Homem de temperamento enérgico e ética inegociável, Dr. Niton implementou um rigoroso código de posturas visando a modernização sanitária da cidade. Com o auxílio do fiscal Firmino Rodrigues, a quem cobrava firmeza implacável, promoveu a retirada dos currais de animais do perímetro urbano e a extinção do Beco da Troca, enfrentando a resistência de poderosos locais e de costumes arraigados. Sua isonomia era absoluta, ilustrada pelo episódio em que obrigou sua própria mãe, Dona Sinhá, a construir fossas sanitárias em seus imóveis, proferindo a célebre sentença de que ela era mãe de Niton, mas não do prefeito, estando igualmente sujeita à lei. Esse zelo pelo bem público estendeu-se ao controle de pesos e medidas e à criação de padrões de qualidade para o comércio, recusando qualquer tipo de favorecimento pessoal ou endividamento do erário.
No âmbito familiar e profissional, Antônio Othon Filho manteve laços profundos com as raízes da região. Sobrinho do coronel Tomás Salustino Gomes de Melo, trabalhou na Mineração Tomás Salustino S/A durante os tempos heroicos do ciclo da scheelita, contribuindo para o desenvolvimento econômico do estado. Sua vida pessoal foi edificada ao lado de Dona Estelina de Albuquerque Othon, com quem se casou em 1935 em Belo Horizonte, constituindo uma prole de onze filhos — oito homens e três mulheres. A estabilidade de sua vida doméstica contrastava com seu espírito inquieto de pesquisador, que culminou, em 1970, no lançamento da obra "Meio Século da Roça à Cidade". O livro, prefaciado por Manoel Rodrigues de Melo, inaugurou uma historiografia voltada para os tipos populares e para a cultura cotidiana, resgatando a memória dos anônimos que ajudaram a forjar a identidade do município, comparando-se em importância local aos grandes regionalistas brasileiros.
O destino de Antônio Othon Filho, entretanto, foi selado por uma fatalidade que abalou o Rio Grande do Norte. Em 13 de maio de 1974, aos 67 anos, faleceu vítima de um trágico atropelamento por um ônibus durante a procissão de Nossa Senhora de Fátima, na entrada de Currais Novos, um desastre que ceifou a vida de dezenas de pessoas. Sua partida abrupta interrompeu a produção de uma segunda obra histórica, mas não apagou seu legado. Eternizado em nomes de rua, na Biblioteca Pública Municipal e na Sala de Sessões da Câmara de Vereadores, onde também atuou como legislador, Dr. Niton permanece na memória coletiva como o "menino sem vontades, jovem sem aventuras e homem sem ambições" que, paradoxalmente, transformou-se em um gigante moral e intelectual, deixando um exemplo perene de dignidade, cultura e amor à sua terra.


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