terça-feira, 2 de dezembro de 2025

1905

  VERÔNICA PIRES GALVÃO (1905 - 1949)

 Filha de Enedina Pires de Albuquerque e irmã de Pedro Pires Galvão




  •   LAURINDA BEZERRA DE VASCONCELOS  (1905/1984) Bisneta do Major Antônio Pires de Albuquerque Galvão e de Guilhermina Francisca de Medeiros Rocha.


 Dr. MANOEL BRANDÃO DE ARAÚJO  (1905/1992) Nascido em Currais Novos, Rio Grande do Norte, o Dr. Manoel Brandão de Araújo, médico formado no Rio de Janeiro, escolheu Jardim do Seridó, no mesmo estado, para exercer sua profissão por volta de 1932. Sua chegada marcou o início de uma existência singular, pautada por um isolamento que o acompanharia até o fim de seus dias.

Residente em sua própria casa, na Rua Cel. Felinto Elísio, nº 78, o Dr. Brandão adotou um comportamento eremita, afastando-se do convívio social. Suas raras saídas eram destinadas a viagens a Recife ou Rio de Janeiro, sempre realizadas de madrugada, longe dos olhares curiosos da população. Nessas ocasiões, aproveitava para cortar o cabelo. Sua vestimenta era invariável: um terno preto sobre uma camisa branca de mangas compridas, com os punhos sempre visíveis. Ele só aparecia à janela ou na área de sua casa quando necessitava de algo, principalmente alimentos. Observava atentamente quem passava até que alguém lhe inspirasse confiança – geralmente meninos, dada sua notória desconfiança. Antes de fazer qualquer pedido, inquiria sobre a família do jovem e, se agradasse, solicitava o que precisava. Um detalhe peculiar era a exigência de que as mãos fossem lavadas com álcool antes de qualquer contato, sob a alegação de que o mundo estava infestado de micróbios e bactérias.

Enquanto sua saúde permitia, o Dr. Brandão vivia das consultas que cobrava. Reconhecido por sua notável competência profissional, era procurado por pacientes que já não encontravam solução para seus males. Para serem atendidos, as pessoas chegavam a esperar o dia inteiro. Não que sua agenda fosse lotada; pelo contrário, poucos o procuravam. A longa espera se dava porque era raro o dia em que ele estava disposto a atender. Pacientes passavam horas batendo às portas e janelas, implorando por uma consulta. Quando finalmente abria a porta, o paciente era recebido na primeira sala, sem acesso ao restante da casa. Após ouvir o relato, o Dr. Brandão se retirava para o interior da residência por alguns instantes, retornando com a receita já pronta.

A eficácia quase milagrosa de seus remédios, somada ao mistério de suas ausências no interior da casa e ao sigilo que mantinha sobre si, levou a população a crer que ele trabalhava com espíritos, e que estes eram os verdadeiros prescritores dos medicamentos. Assim, um mito se consolidou: se o Dr. Brandão não curasse, era porque não havia cura. Outras lendas surgiram, como a de que ele teria comprado um carro e lacrado a porta da garagem para não ser visto ao viajar, utilizando táxis em altas horas da noite ou madrugada para manter o anonimato. As poucas pessoas em quem confiava não ultrapassavam a sala de espera, e as restrições eram sempre mantidas.

Deus, e somente Deus, foi a testemunha ocular de suas mágoas, dores, angústias e sofrimentos, que certamente não foram poucos. Após seu falecimento, em 2 de fevereiro de 1992, foi sepultado em Currais Novos, no túmulo de seus pais. Em seu antigo consultório, nas paredes marcadas pelo tempo, restaram prescrições médicas copiadas para os mais diversos tipos de doenças, contendo sintomas, medicamentos e orientações aos pacientes.

Anos se passaram desde a partida do Dr. Brandão. Pouco resta de sua presença física ali; seu escritório médico foi doado ao Museu Histórico de Jardim do Seridó por Ildete Gomes e totalmente restaurado pela ex-prefeita Maria José Lira de Medeiros. De sua vida, permaneceu a lembrança – uma boa lembrança que nos faz imaginar as raras vezes em que ele removia as travas de madeira das portas e a esperança de muitos de que, em algum canto daquela casa, ainda exista uma "botija" (tesouro) que, mais cedo ou mais tarde, alguém irá encontrar.

Hortêncio Pereira de Brito, conhecido na vida pública e militar como Major Hortêncio Pereira de Brito, nasceu em 28 de fevereiro de 1905 e faleceu em 1944, na Fazenda Pinturas, no município de Acari, no Rio Grande do Norte. Era filho de Napoleão Antão Pereira de Brito e de Anunciada Bezerra de Brito, neto do renomado Félix de Araújo Pereira, alcunhado Félix dos Garrotes, e descendente do colonizador português Tomaz de Araújo Pereira, inserindo-se, assim, em antiga e respeitável linhagem do Seridó potiguar. Ainda em tenra idade, por motivo de enfermidade comum à época, permaneceu sob os cuidados de Chiquinha Viúva, no Saco dos Pereira, experiência que marcou seus primeiros anos de vida.  Realizou os estudos primários no Grupo Escolar Tomás de Araújo, em sua terra natal, e, em 1920, transferiu-se para Natal, onde cursou o preparatório no Colégio Marista, com o propósito de ingressar na Escola Militar do Rio de Janeiro. Inicialmente admitido na Arma de Cavalaria, acabou desligado da instituição, passando a exercer o magistério como professor de Matemática. Tempos depois, retornou à Escola Militar, optando pela então recém-criada Arma de Aviação, na qual se destacou, sendo declarado Aspirante-a-Oficial em 25 de janeiro de 1932, integrando a quinta turma de formação. Como Segundo-Tenente-Aviador, tornou-se um dos pioneiros da aviação militar brasileira, sendo responsável pela inauguração da linha do Correio Aéreo Militar entre o Rio de Janeiro e o Mato Grosso, no final de 1932. Em 23 de janeiro de 1934, assumiu a função de primeiro comandante do Destacamento de Aviação de Campo Grande e, no mesmo ano, foi promovido a Primeiro-Tenente-Aviador, seguindo para o Regimento de Aviação em Curitiba. Em 1935, integrou, como piloto militar, a comitiva oficial do Governo Federal em visita diplomática à Argentina e ao Uruguai. No ano seguinte, em parceria com o Primeiro-Tenente-Aviador Ricardo Nicoll, inaugurou a linha do Correio Aéreo Militar entre o Rio de Janeiro e Assunção, no Paraguai, pilotando um monomotor Waco Cabine C-47. Em (1939), ao lado do Capitão Roberto Carlos de Assis Jathay, foi responsável pela abertura da rota aérea para a região do Tocantins, utilizando um monomotor Belanca K-25. Paralelamente à carreira militar, dedicou-se ao aprimoramento intelectual. De volta à então Capital Federal, matriculou-se no curso de Engenharia Civil, em Juiz de Fora, concluído em 1943, especializando-se, posteriormente, em Engenharia Aeronáutica nos Estados Unidos, onde realizou, ainda, curso de Engenharia de Aeródromos. Retornando ao Brasil no início de 1944, já na patente de Major-Aviador-Engenheiro-Aeronáutico, foi designado Subcomandante do Parque de Aviação do Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro, além de atuar como supervisor da construção do Aeroporto de Belém, no Pará. Apesar da intensa atividade profissional, manteve laços profundos com sua terra natal. Durante suas viagens ao Norte do país, frequentemente desviava a rota para pousar em uma pista que ele próprio providenciou nas proximidades da fazenda de seus pais, em Acari, local onde aterrissava pilotando aeronaves de pequeno porte. Foi casado com Beth Leig de Britto, união da qual nasceram dois filhos, Ellyn e Otto L. Leig Pereira de Britto. Sua trajetória promissora foi abruptamente interrompida em 17 de março de 1944, quando, durante um voo de teste com um avião bimotor Lodestar, no Campo dos Afonsos, a aeronave sofreu pane logo após a decolagem e caiu, ocasionando sua morte. Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à aviação e às Forças Armadas, foi promovido postumamente ao posto de Tenente-Brigadeiro. A memória de Hortêncio Pereira de Brito é enriquecida por testemunhos familiares que revelam não apenas o brilho de sua carreira militar, mas também sua dimensão humana. Catarina Brito, filha de Anália e irmã de Gutemberg Brito, manifestou profunda emoção ao reencontrar registros que preservam a história de sua terra natal e do ilustre parente, contribuindo, por intermédio de seu genro, Freire Neto, com informações e fotografias destinadas à preservação dessa lembrança. Gutemberg Brito, que recebeu o nome do irmão em sua homenagem, recorda que a morte de Hortêncio representou não apenas uma perda para a Aeronáutica, mas para o próprio país, evocando, com emoção, as palavras do Brigadeiro Eduardo Gomes, proferidas em visita a Acari, em agosto de 1950, quando reconheceu a relevância do Major e a amizade que os unira desde a década de 1930. Guardião de vasta documentação composta por fotografias, correspondências e bibliografia, Gutemberg dedicou-se ao registro escrito da vida do irmão, com o propósito de doar esse acervo à Câmara Municipal e à Biblioteca do Colégio Municipal de Acari, instituição que hoje perpetua sua memória ao ostentar o nome de Hortêncio Pereira de Brito, figura emblemática do sertão seridoense que ascendeu, por mérito próprio, aos quadros mais elevados da aviação nacional.


  GUILHERMINA BEZERRA DE ARAÚJO GALVÃO  (1905 - 1969). Irmã de Sátiro Bezerra de Araújo Galvão. 

MARIA AMÉLIA DA NÓBREGA SANTA ROSA (1905 - 2001) . Filha de Cipryano Bezerra Galvão Santa Rosa (1857 - 1947) e de Maria Iluminatta da Nóbrega (1877 - 1917). 

   ANTÔNIO PEREIRA DE ARAÚJO  (1905/1971)


JOÃO PEREIRA DE ARAÚJO (1905 - 1982)

  Esposo de Raquel de Araújo Cananéa.

AURICETA PEREIRA GALVÃO (1905 - 1995)



Raimundo Silvino da Costa, amplamente conhecido pela alcunha de Raimundinho de Pretinho, nasceu aos vinte e oito dias de fevereiro de 1905 na Fazenda Seridozinho, vindo a consolidar-se como uma das figuras mais emblemáticas da Fazenda Várzea Comprida, no antigo distrito de São Bernardo, em Caicó. De porte alto e musculatura vigorosa, com uma tez que transitava entre o moreno claro e o branco fustigado pelo sol, Raimundinho personificou a imagem do atleta perfeito sobre a sela. Desde a tenra idade de doze anos, já demonstrava destreza incomum nos pátios de vaquejada montando o seu célebre cavalo cardão, o Gato Brabo, sendo aclamado por seus contemporâneos como um mestre insuperável na arte de correr e derrubar o gado, especialmente quando ladeado por montarias vitoriosas como o Rei de Ouro e o alazão da Cabeça Ruzia nos certames de Olho d’Água, Umari e Trapiá.

Sua vida matrimonial foi marcada por dois enlaces significativos. O primeiro ocorreu aos dois dias de janeiro de 1926, na Fazenda Alegre, onde uniu-se a Izidora Izaura da Costa, filha de Sérvulo Lopes de Araújo e Mercê Porcina de Araújo. Tal evento inscreveu-se na memória social da região por um fato inusitado para a zona rural daquela época: a presença de onze automóveis, quantidade jamais vista em tais paragens. Diante do falecimento de Izidora em 1932, Raimundinho convolou núpcias no ano de 1934, na Fazenda Semanau, com Francisca dos Anjos Costa, a estimada Dona Santa, diletante filha de Manoel Rufino Pereira e Maria Rufina de Araújo.

Para além de suas habilidades como vaqueiro, Raimundo Silvino foi um líder de valor inestimável, cuja autoridade emanava não apenas de sua integridade moral, mas de uma coragem pessoal e força física hercúleas, atributos indispensáveis, ratione temporis, para a salvaguarda da família e da comunidade em tempos de desafios rudes. Homem próspero, trabalhador e profundamente solidário, ele encerrou sua jornada terrena na capital potiguar aos quatorze dias de setembro de 1977, deixando um legado de bravura e honra que permanece como um pilar no universo de valores do Seridó.

Gostaria que eu relacionasse os descendentes de Raimundinho com as famílias Rufino e Lopes para identificarmos como essas alianças expandiram as fronteiras das fazendas mencionadas?

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1980