quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

1950



A trajetória de Adaltiva de Medeiros Silva, iniciada em 24 de fevereiro de 1950 na zona rural do Seridó potiguar, constitui um vigoroso testemunho de resiliência, emancipação feminina e incondicional dedicação ao serviço público. Filha de José Saturnino Pereira de Medeiros e Maria Beatriz Pires Pereira, sua linhagem a conecta a tradicionais famílias da região, sendo neta paterna de João Raphael Dantas e Joanna Petronila de Medeiros, e materna de Sérvulo Leodegário Pereira e Francisca Pires Galvão. Sua vida pessoal e a construção de seu núcleo familiar consolidaram-se em 31 de julho de 1973, data de seu matrimônio com Manoel Basílio da Silva, parceiro com quem compartilhou uma existência pautada pelo trabalho e pelo compromisso social até o falecimento dele em 2017.

Desde a infância, marcada pela escassez de recursos e pela dureza da vida no campo, Adaltiva demonstrou uma obstinação singular pelo saber. Alfabetizada inicialmente no ambiente doméstico pela mãe e, posteriormente, frequentando aulas improvisadas custeadas pelo avô, João Rafael, ela precisou conciliar os estudos rudimentares com o trabalho infantil nas lides da fazenda. Contudo, as limitações impostas pela ruralidade e pelo patriarcalismo da época não foram suficientes para conter seu ímpeto. Aos dezessete anos, já dominando o currículo primário, iniciou sua transição de aluna para mestra, atuando primeiramente como auxiliar voluntária. Sua emancipação definitiva ocorreu em 1969, quando, desafiando a autoridade paterna conservadora e os costumes que restringiam o papel da mulher, aceitou o convite para assumir a regência da recém-criada Escola Municipal Francisco Braz, no Sítio Soledade. O início de sua carreira docente, coincidindo simbolicamente com a chegada do homem à Lua em julho daquele ano, representou seu próprio salto para um universo mais amplo, onde percorria sítios vizinhos para recrutar alunos e combater o analfabetismo.

A evolução profissional de Adaltiva foi notável e multifacetada, refletindo as transformações sociais e políticas do Brasil nas décadas seguintes. Nos anos 1970, sua atuação expandiu-se com o ingresso no Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL), o que lhe garantiu independência financeira e aprimoramento pedagógico. A busca por estabilidade e novos horizontes a levou, em 1984, ao serviço público federal como agente administrativa do INSS, onde desempenhou funções cruciais no setor de benefícios, vivenciando a implementação dos direitos assegurados pela Constituição de 1988. Mesmo com a carreira previdenciária, jamais abandonou a educação: graduou-se, especializou-se e retornou às salas de aula para formar novos professores, liderando a aplicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996 na Escola Estadual Tomás de Araújo.

Sua vocação para a liderança comunitária transbordou para a esfera política e para a gestão da assistência social. Em 1996, pioneira, candidatou-se ao cargo de prefeita pelo PMDB, protagonizando uma campanha pautada pela ética e pelo contato popular. Posteriormente, sua atuação no Conselho Tutelar e, a partir de 2005, como Secretária Municipal de Assistência Social, foi revolucionária. Rompendo com práticas assistencialistas arcaicas, como a distribuição de sopas, Adaltiva trabalhou pela profissionalização do setor e pela implementação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), focando na garantia de direitos e na dignidade humana. Aposentada em 2018 como Especialista em Educação, Adaltiva de Medeiros Silva encerrou seu ciclo profissional deixando um legado imensurável de superação de barreiras sociais, defesa dos vulneráveis e crença inabalável no poder transformador da educação e da política pública bem exercida. 

A Trajetória de Adaltiva: Educação e Transformação Social

O texto fornece uma extensa autobiografia da Professora Adaltiva de Medeiros Silva, detalhando sua trajetória profissional e pessoal no interior do Rio Grande do Norte, Brasil. Inicialmente, o relato foca nas dificuldades da educação rural na década de 1960 e na sua ascensão de aluna a regente escolar, superando oposição paterna e desafios logísticos. A narrativa prossegue descrevendo sua evolução na carreira, incluindo a participação no programa de alfabetização MOBRAL e a obtenção do Ensino Superior em Pedagogia, após enfrentar obstáculos como o exame de admissão e reprovações. Adaltiva também relata sua transição para o serviço público federal, assumindo um cargo no INSS, e, posteriormente, seu retorno à educação em papéis de supervisão e coordenação. Finalmente, o texto aborda seu envolvimento na política, sua atuação no Conselho Tutelar e como Secretária Municipal de Assistência Social, evidenciando uma vida dedicada à melhoria social e à defesa dos direitos civis.

A Trajetória da Professora Adaltiva de Medeiros Silva

Este briefing detalha a notável trajetória de Adaltiva de Medeiros Silva, abrangendo sua infância no meio rural, sua paixão pela educação, sua evolução profissional e seu engajamento em políticas sociais, destacando a perseverança e adaptabilidade em um cenário de profundas transformações sociais e políticas no Brasil.

1. Infância e Primeiros Contatos com a Educação no Meio Rural (1950s-1960s)

A infância de Adaltiva é marcada por um contexto de escassez de recursos e educação rudimentar, típicos da vida rural brasileira da época.

·         Educação Informal e Autodidata: Adaltiva nasceu em 1950 e, aos dez anos, já dominava leitura, escrita e as quatro operações matemáticas básicas, habilidades ensinadas por sua mãe, Maria Beatriz Pereira de Medeiros, em casa, devido à "ausência de escolas ao nosso alcance." O primeiro contato com um "kit escolar" foi um presente de sua mãe, contendo itens essenciais como cartilha, cadernos, tabuada, lápis e borracha.

·         Rotina Doméstica e Trabalho Infantil: A vida familiar era árdua, com "tudo [...] exigindo grande esforço físico." As crianças, incluindo Adaltiva e seus quatro irmãos, eram "quase como pequenos trabalhadores rurais," auxiliando nas atividades da fazenda (alimentar animais, pastorear gado, transportar ração), o que tornava as aulas "esporádicas, quando não raras," pois os afazeres "raramente permitiam uma pausa para a concentração."

·         A "Escola" Pioneira: A iniciativa para uma educação mais formal veio do avô, João Rafael Dantas, que contratou a filha de um amigo, Dona Terezinha Souza, para ser "a professora dos netos de João Rafael." As aulas ocorriam na casa da professora, em uma "pequena sala com uma mesa de tamanho médio, alguns tamboretes e bancos rústicos."

·         Metodologia Tradicional e Limitada: O ensino era caracterizado pela "repetição e à memorização," um "monólogo da professora," focado em transmitir "conhecimentos de cunho social, como história, crenças e ensino religioso, além de valores éticos e morais," visando a formação de um "cidadão subserviente à elite e destituído de pensamento crítico."

·         Momentos de Confraternização: Apesar das limitações, havia momentos de alegria, como as celebrações de datas comemorativas e cívicas, e um recreio com brincadeiras tradicionais (cobra-cega, pega-pega, esconde-esconde). A chegada de uma "famosa lousa, um quadro negro de parede no qual se escrevia com giz" e a visita mensal do inspetor escolar são lembranças marcantes. Frases de memorização, como "O BRASIL É UM PAÍS RICO" ou "A PREGUIÇA É A CHAVE DA POBREZA," revelam o conteúdo pedagógico da época.

2. Os Primeiros Passos no Magistério e a Luta pela Educação (Final dos 1960s - 1970s)

A transição de aluna a professora é um ponto crucial na trajetória de Adaltiva, simbolizando sua emancipação e o início de sua missão educacional.

·         De Aluna a Auxiliar e Substituta: Aos dezessete anos, Adaltiva já havia dominado o currículo primário. Impossibilitada de prosseguir como aluna, convenceu a professora Lucinete da Silva Galvão (sucessora de Dona Teresinha) a aceitá-la como "ouvinte e auxiliar de sala," ajudando outros alunos. "Já me sentia uma educadora empoderada, importante, com uma perspectiva de vida diferente, prenunciando o nascimento de um sonho."

·         A Oportunidade Surge: Em 1969, a doença da professora Lucinete abriu a oportunidade para Adaltiva assumir as aulas por três meses. Apesar de o prefeito ser adversário político de seu pai, ela foi aceita, lecionando para irmãos e ex-colegas. "De ex-aluna a Regente Escolar! O sonho de ser professora começava a se concretizar."

·         O Desafio da Nova Escola em Soledade: Convidada pelo prefeito para ser a primeira professora da recém-construída Escola Municipal Francisco Braz, no sítio Soledade, Adaltiva aceitou, mesmo tendo cursado apenas o ensino primário (o que era suficiente para a época). Este movimento gerou um conflito com seu pai, que era "controlador e autoritário," vendo sua desobediência como "uma questão de honra." Para Adaltiva, a educação oferecia um "caminho desconhecido que [...] não poderia ser mais 'abusivo' e opressor" do que a "vida restrita da ruralidade" e o "caminho tradicional das mulheres do campo."

·         Superando Obstáculos e a Missão de Recrutamento: A escola em Soledade não tinha mobiliário e foi aberta "ao jeitinho brasileiro do improviso." Junto com Inácia Dantas, outra professora designada, Adaltiva percorreu vários sítios, como Benedito, Tororó, e Soledade, para matricular "setenta alunos de diferentes idades." Muitos, mesmo fora da faixa etária, nunca haviam frequentado a escola devido à "inexistência de uma escola nas proximidades e o trabalho infantil ligado às atividades rurais."

·         Contexto Social e Eventos Históricos: O primeiro dia de aula, em 20 de julho de 1969, coincidiu com a "Chegada do Homem à Lua na Apollo 11," um marco que fez "O mundo parecia maior. Três astronautas pisavam no solo poeirento da lua. E nós aqui, dando o nosso pequeno grande salto."

·         Expansão da Educação Rural e Desafios: Nos anos 1970, o poder público municipal começou a investir mais na educação rural, levando à criação da Secretaria Municipal de Educação. Adaltiva continuou a lecionar, adaptando o currículo para incluir o "quarto ano" do primário, mediante "permuta" de almoços dos pais, já que muitos viviam da "agricultura, em regime de quase subsistência."

·         Educação de Jovens e Adultos (MOBRAL): Em 1973, Adaltiva ingressou como monitora do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização), um programa nacional para adultos analfabetos. As aulas noturnas na zona rural eram iluminadas por "lâmpada a bujão" (gás). O MOBRAL, embora oneroso, foi crucial para sua independência financeira, especialmente para custear seu casamento e a aquisição de um carro para o marido taxista. Seu esposo, semianalfabeto, "a encorajava" em sua carreira, valorizando a esposa "instruída, professora."

·         Crescimento Profissional e Acadêmico: As capacitações do MOBRAL e a interação com outros municípios e a Capital contribuíram para seu "crescimento interpessoal e profissional." Paralelamente, em 1975, ela foi transferida para a cidade como bibliotecária e, em 1978, atuou como professora substituta, conciliando trabalho, estudo (Curso Técnico em Contabilidade à noite) e a criação dos filhos.

3. Consolidação da Carreira e Engajamento Social (1980s - 2010s)

A partir da década de 1980, Adaltiva consolida sua carreira em diferentes esferas, demonstrando uma capacidade estratégica e compromisso com a justiça social.

·         Múltiplas Funções e Formação Superior: Em 1980, Adaltiva ocupava diversos cargos: Supervisora do MOBRAL (manhã), Secretária escolar na Casa de Menores Tomás Sebastião (tarde), e professora de Geografia do Brasil e Mecanografia no Colégio Comercial (noite). A nomeação como Supervisora Escolar da zona rural lhe deu "comodidade" e a aptidão para implementar os preceitos da LDB de 1996, com "conhecimento de campo e de 'pessoas' (à moda Paulo Freire)."

·         Ingresso no Serviço Público Federal: Em 1984, ela assumiu o cargo de Agente Administrativa no INSS, uma "convocação" que oferecia "estabilidade, independência política, remuneração atraente e possibilidades de crescimento no cargo," superando seu "sonho" na Educação.

·         Equilíbrio Familiar e Profissional: A família tentou morar em Currais Novos para otimizar seu tempo de trabalho e estudo universitário, mas o "sentimento de pertencimento e a atmosfera de deslocamento das crianças" a levou a retornar para Acari, aceitando uma rotina de duas viagens diárias.

·         INSS e Transformações na Previdência: No INSS, Adaltiva trabalhou em diversos setores, como protocolo e expedição, e especialmente no "Setor de Benefícios," onde se sentia "útil, tanto na tarefa quanto em sua missão de servir ao próximo." Ela acompanhou as reformas que unificaram o IAPAS e o INAMPS no INSS, e a Constituição Federal de 1988 que "trouxe mais direitos e benefícios ao trabalhador rural."

·         Liderança e Novas Leis Educacionais: Na década de 1990, Adaltiva retomou sua missão na Educação, lecionando Didática, Psicologia da Aprendizagem, História e Filosofia da Educação no Curso de Magistério. Como Coordenadora na Escola Estadual Tomás de Araújo, ela liderou a equipe de professores na redefinição da prática pedagógica após a implantação da LDB nº 9.394 de 1996, um desafio, pois a maioria dos professores tinha apenas formação profissionalizante anterior.

·         Engajamento Político: Em 1996, Adaltiva aceitou o convite para ser candidata a prefeita pelo PMDB, tornando-se uma das duas mulheres a disputar o executivo pela primeira vez. Apesar de uma campanha sem grandes recursos ou alianças, ela obteve uma "demonstração de popularidade sincera," não seduzida pela "máquina da politicagem."

·         Especialização e Educação de Jovens e Adultos (EJA): Em 2003, fez especialização em Linguagem e Educação e atuou como Supervisora Pedagógica da EJA, buscando atender às novas exigências e investir na prática pedagógica.

·         Conselho Tutelar e Assistência Social: Em 2003, foi eleita para o recém-implantado Conselho Tutelar, onde "lutamos para fazer valer os direitos da criança e do adolescente," confrontando "abusos e explorações que, pela impunidade, eram ignorados." Em 2005, assumiu a pasta de Secretária Municipal de Assistência Social, uma área que, sob o governo vigente, despontava como um "ministério forte."

·         Rompendo com o Assistencialismo: Como gestora da Assistência Social, Adaltiva promoveu a atualização dos servidores e rompeu com "velhas práticas assistencialistas, como o antigo 'Sopão'." Ela buscou a "efetivação da assistência social como política pública," fortalecendo as gestões municipais e atuando nos níveis de "Proteção Social Básica e Especial," beneficiando profissionais de diversas áreas e, principalmente, "pessoas em situação de pobreza ou com seus direitos violados."

·         Aposentadoria e Legado: Adaltiva se aposentou em 2018 como Especialista em Educação, após uma carreira multifacetada. Sua trajetória é percebida como a de alguém "sempre direcionada para onde se desenvolviam novos processos conjunturais em detrimento da sociedade, sempre alinhada com as melhorias sociais," e com uma "rara habilidade dos estrategistas: pensar o que precisa vir antes que outra coisa possa vir."

4. Temas e Ideias Centrais

·         Perseverança e Adaptação: A vida de Adaltiva é um testemunho de resiliência e capacidade de adaptação. Desde a superação das limitações educacionais na infância até a transição entre diversas carreiras e o enfrentamento de desafios pessoais e políticos, ela demonstra uma "índole nunca foi de desistir; era perseverante, de fé, forte e otimista."

·         O Poder Transformador da Educação: A educação é o fio condutor de sua vida, vista como um meio de "libertação da vida restrita da ruralidade" e uma ferramenta para o "desenvolvimento humano, científico e tecnológico." Ela não apenas buscou sua própria formação, mas dedicou-se incansavelmente à formação de outros, incluindo jovens, adultos e crianças em situação de vulnerabilidade.

·         Emancipação Feminina e Desafios Patriarcais: A decisão de seguir a carreira no magistério, desafiando a vontade do pai e as "tradições patriarcais e machistas" do campo, é um marco de sua emancipação como mulher. Ela abriu caminho para uma "perspectiva de vida diferente," tornando-se um exemplo de força e autonomia.

·         Serviço Público e Compromisso Social: Adaltiva atuou em diversas esferas do serviço público (municipal, estadual, federal), sempre com um forte senso de missão e compromisso com o bem-estar social. Seu trabalho no INSS e, principalmente, na Assistência Social, demonstra uma dedicação a "servir ao próximo" e a romper com práticas assistencialistas, buscando a efetivação de direitos.

·         Liderança e Inovação: Seja como "Regente Escolar," supervisora ou secretária, Adaltiva demonstrou capacidade de liderança e disposição para inovar, implementando novas políticas educacionais e sociais, e organizando ações coletivas para beneficiar a comunidade.

·         Fé e Otimismo: A fé na "Divina Providência" e o "espírito aguerrido para lutar" são elementos recorrentes em sua narrativa, sustentando seu otimismo e determinação em face das adversidades.

Conclusão

A trajetória de Adaltiva de Medeiros Silva é um relato inspirador de como a paixão pela educação, a perseverança e o engajamento cívico podem moldar uma vida de significativo impacto social. Sua jornada reflete as profundas mudanças no Brasil do século XX e XXI, desde as condições rurais de subsistência até a modernização das políticas públicas, sempre com Adaltiva à frente, impulsionando melhorias e defendendo os direitos dos mais vulneráveis.

A Trajetória da Professora Adaltiva de Medeiros Silva

Este briefing detalha a notável trajetória de Adaltiva de Medeiros Silva, abrangendo sua infância no meio rural, sua paixão pela educação, sua evolução profissional e seu engajamento em políticas sociais, destacando a perseverança e adaptabilidade em um cenário de profundas transformações sociais e políticas no Brasil.

1. Infância e Primeiros Contatos com a Educação no Meio Rural (1950s-1960s)

A infância de Adaltiva é marcada por um contexto de escassez de recursos e educação rudimentar, típicos da vida rural brasileira da época.

·         Educação Informal e Autodidata: Adaltiva nasceu em 1950 e, aos dez anos, já dominava leitura, escrita e as quatro operações matemáticas básicas, habilidades ensinadas por sua mãe, Maria Beatriz Pereira de Medeiros, em casa, devido à "ausência de escolas ao nosso alcance." O primeiro contato com um "kit escolar" foi um presente de sua mãe, contendo itens essenciais como cartilha, cadernos, tabuada, lápis e borracha.

·         Rotina Doméstica e Trabalho Infantil: A vida familiar era árdua, com "tudo [...] exigindo grande esforço físico." As crianças, incluindo Adaltiva e seus quatro irmãos, eram "quase como pequenos trabalhadores rurais," auxiliando nas atividades da fazenda (alimentar animais, pastorear gado, transportar ração), o que tornava as aulas "esporádicas, quando não raras," pois os afazeres "raramente permitiam uma pausa para a concentração."

·         A "Escola" Pioneira: A iniciativa para uma educação mais formal veio do avô, João Rafael Dantas, que contratou a filha de um amigo, Dona Terezinha Souza, para ser "a professora dos netos de João Rafael." As aulas ocorriam na casa da professora, em uma "pequena sala com uma mesa de tamanho médio, alguns tamboretes e bancos rústicos."

·         Metodologia Tradicional e Limitada: O ensino era caracterizado pela "repetição e à memorização," um "monólogo da professora," focado em transmitir "conhecimentos de cunho social, como história, crenças e ensino religioso, além de valores éticos e morais," visando a formação de um "cidadão subserviente à elite e destituído de pensamento crítico."

·         Momentos de Confraternização: Apesar das limitações, havia momentos de alegria, como as celebrações de datas comemorativas e cívicas, e um recreio com brincadeiras tradicionais (cobra-cega, pega-pega, esconde-esconde). A chegada de uma "famosa lousa, um quadro negro de parede no qual se escrevia com giz" e a visita mensal do inspetor escolar são lembranças marcantes. Frases de memorização, como "O BRASIL É UM PAÍS RICO" ou "A PREGUIÇA É A CHAVE DA POBREZA," revelam o conteúdo pedagógico da época.

2. Os Primeiros Passos no Magistério e a Luta pela Educação (Final dos 1960s - 1970s)

A transição de aluna a professora é um ponto crucial na trajetória de Adaltiva, simbolizando sua emancipação e o início de sua missão educacional.

·         De Aluna a Auxiliar e Substituta: Aos dezessete anos, Adaltiva já havia dominado o currículo primário. Impossibilitada de prosseguir como aluna, convenceu a professora Lucinete da Silva Galvão (sucessora de Dona Teresinha) a aceitá-la como "ouvinte e auxiliar de sala," ajudando outros alunos. "Já me sentia uma educadora empoderada, importante, com uma perspectiva de vida diferente, prenunciando o nascimento de um sonho."

·         A Oportunidade Surge: Em 1969, a doença da professora Lucinete abriu a oportunidade para Adaltiva assumir as aulas por três meses. Apesar de o prefeito ser adversário político de seu pai, ela foi aceita, lecionando para irmãos e ex-colegas. "De ex-aluna a Regente Escolar! O sonho de ser professora começava a se concretizar."

·         O Desafio da Nova Escola em Soledade: Convidada pelo prefeito para ser a primeira professora da recém-construída Escola Municipal Francisco Braz, no sítio Soledade, Adaltiva aceitou, mesmo tendo cursado apenas o ensino primário (o que era suficiente para a época). Este movimento gerou um conflito com seu pai, que era "controlador e autoritário," vendo sua desobediência como "uma questão de honra." Para Adaltiva, a educação oferecia um "caminho desconhecido que [...] não poderia ser mais 'abusivo' e opressor" do que a "vida restrita da ruralidade" e o "caminho tradicional das mulheres do campo."

·         Superando Obstáculos e a Missão de Recrutamento: A escola em Soledade não tinha mobiliário e foi aberta "ao jeitinho brasileiro do improviso." Junto com Inácia Dantas, outra professora designada, Adaltiva percorreu vários sítios, como Benedito, Tororó, e Soledade, para matricular "setenta alunos de diferentes idades." Muitos, mesmo fora da faixa etária, nunca haviam frequentado a escola devido à "inexistência de uma escola nas proximidades e o trabalho infantil ligado às atividades rurais."

·         Contexto Social e Eventos Históricos: O primeiro dia de aula, em 20 de julho de 1969, coincidiu com a "Chegada do Homem à Lua na Apollo 11," um marco que fez "O mundo parecia maior. Três astronautas pisavam no solo poeirento da lua. E nós aqui, dando o nosso pequeno grande salto."

·         Expansão da Educação Rural e Desafios: Nos anos 1970, o poder público municipal começou a investir mais na educação rural, levando à criação da Secretaria Municipal de Educação. Adaltiva continuou a lecionar, adaptando o currículo para incluir o "quarto ano" do primário, mediante "permuta" de almoços dos pais, já que muitos viviam da "agricultura, em regime de quase subsistência."

·         Educação de Jovens e Adultos (MOBRAL): Em 1973, Adaltiva ingressou como monitora do MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização), um programa nacional para adultos analfabetos. As aulas noturnas na zona rural eram iluminadas por "lâmpada a bujão" (gás). O MOBRAL, embora oneroso, foi crucial para sua independência financeira, especialmente para custear seu casamento e a aquisição de um carro para o marido taxista. Seu esposo, semianalfabeto, "a encorajava" em sua carreira, valorizando a esposa "instruída, professora."

·         Crescimento Profissional e Acadêmico: As capacitações do MOBRAL e a interação com outros municípios e a Capital contribuíram para seu "crescimento interpessoal e profissional." Paralelamente, em 1975, ela foi transferida para a cidade como bibliotecária e, em 1978, atuou como professora substituta, conciliando trabalho, estudo (Curso Técnico em Contabilidade à noite) e a criação dos filhos.

3. Consolidação da Carreira e Engajamento Social (1980s - 2010s)

A partir da década de 1980, Adaltiva consolida sua carreira em diferentes esferas, demonstrando uma capacidade estratégica e compromisso com a justiça social.

·         Múltiplas Funções e Formação Superior: Em 1980, Adaltiva ocupava diversos cargos: Supervisora do MOBRAL (manhã), Secretária escolar na Casa de Menores Tomás Sebastião (tarde), e professora de Geografia do Brasil e Mecanografia no Colégio Comercial (noite). A nomeação como Supervisora Escolar da zona rural lhe deu "comodidade" e a aptidão para implementar os preceitos da LDB de 1996, com "conhecimento de campo e de 'pessoas' (à moda Paulo Freire)."

·         Ingresso no Serviço Público Federal: Em 1984, ela assumiu o cargo de Agente Administrativa no INSS, uma "convocação" que oferecia "estabilidade, independência política, remuneração atraente e possibilidades de crescimento no cargo," superando seu "sonho" na Educação.

·         Equilíbrio Familiar e Profissional: A família tentou morar em Currais Novos para otimizar seu tempo de trabalho e estudo universitário, mas o "sentimento de pertencimento e a atmosfera de deslocamento das crianças" a levou a retornar para Acari, aceitando uma rotina de duas viagens diárias.

·         INSS e Transformações na Previdência: No INSS, Adaltiva trabalhou em diversos setores, como protocolo e expedição, e especialmente no "Setor de Benefícios," onde se sentia "útil, tanto na tarefa quanto em sua missão de servir ao próximo." Ela acompanhou as reformas que unificaram o IAPAS e o INAMPS no INSS, e a Constituição Federal de 1988 que "trouxe mais direitos e benefícios ao trabalhador rural."

·         Liderança e Novas Leis Educacionais: Na década de 1990, Adaltiva retomou sua missão na Educação, lecionando Didática, Psicologia da Aprendizagem, História e Filosofia da Educação no Curso de Magistério. Como Coordenadora na Escola Estadual Tomás de Araújo, ela liderou a equipe de professores na redefinição da prática pedagógica após a implantação da LDB nº 9.394 de 1996, um desafio, pois a maioria dos professores tinha apenas formação profissionalizante anterior.

·         Engajamento Político: Em 1996, Adaltiva aceitou o convite para ser candidata a prefeita pelo PMDB, tornando-se uma das duas mulheres a disputar o executivo pela primeira vez. Apesar de uma campanha sem grandes recursos ou alianças, ela obteve uma "demonstração de popularidade sincera," não seduzida pela "máquina da politicagem."

·         Especialização e Educação de Jovens e Adultos (EJA): Em 2003, fez especialização em Linguagem e Educação e atuou como Supervisora Pedagógica da EJA, buscando atender às novas exigências e investir na prática pedagógica.

·         Conselho Tutelar e Assistência Social: Em 2003, foi eleita para o recém-implantado Conselho Tutelar, onde "lutamos para fazer valer os direitos da criança e do adolescente," confrontando "abusos e explorações que, pela impunidade, eram ignorados." Em 2005, assumiu a pasta de Secretária Municipal de Assistência Social, uma área que, sob o governo vigente, despontava como um "ministério forte."

·         Rompendo com o Assistencialismo: Como gestora da Assistência Social, Adaltiva promoveu a atualização dos servidores e rompeu com "velhas práticas assistencialistas, como o antigo 'Sopão'." Ela buscou a "efetivação da assistência social como política pública," fortalecendo as gestões municipais e atuando nos níveis de "Proteção Social Básica e Especial," beneficiando profissionais de diversas áreas e, principalmente, "pessoas em situação de pobreza ou com seus direitos violados."

·         Aposentadoria e Legado: Adaltiva se aposentou em 2018 como Especialista em Educação, após uma carreira multifacetada. Sua trajetória é percebida como a de alguém "sempre direcionada para onde se desenvolviam novos processos conjunturais em detrimento da sociedade, sempre alinhada com as melhorias sociais," e com uma "rara habilidade dos estrategistas: pensar o que precisa vir antes que outra coisa possa vir."

4. Temas e Ideias Centrais

·         Perseverança e Adaptação: A vida de Adaltiva é um testemunho de resiliência e capacidade de adaptação. Desde a superação das limitações educacionais na infância até a transição entre diversas carreiras e o enfrentamento de desafios pessoais e políticos, ela demonstra uma "índole nunca foi de desistir; era perseverante, de fé, forte e otimista."

·         O Poder Transformador da Educação: A educação é o fio condutor de sua vida, vista como um meio de "libertação da vida restrita da ruralidade" e uma ferramenta para o "desenvolvimento humano, científico e tecnológico." Ela não apenas buscou sua própria formação, mas dedicou-se incansavelmente à formação de outros, incluindo jovens, adultos e crianças em situação de vulnerabilidade.

·         Emancipação Feminina e Desafios Patriarcais: A decisão de seguir a carreira no magistério, desafiando a vontade do pai e as "tradições patriarcais e machistas" do campo, é um marco de sua emancipação como mulher. Ela abriu caminho para uma "perspectiva de vida diferente," tornando-se um exemplo de força e autonomia.

·         Serviço Público e Compromisso Social: Adaltiva atuou em diversas esferas do serviço público (municipal, estadual, federal), sempre com um forte senso de missão e compromisso com o bem-estar social. Seu trabalho no INSS e, principalmente, na Assistência Social, demonstra uma dedicação a "servir ao próximo" e a romper com práticas assistencialistas, buscando a efetivação de direitos.

·         Liderança e Inovação: Seja como "Regente Escolar," supervisora ou secretária, Adaltiva demonstrou capacidade de liderança e disposição para inovar, implementando novas políticas educacionais e sociais, e organizando ações coletivas para beneficiar a comunidade.

·         Fé e Otimismo: A fé na "Divina Providência" e o "espírito aguerrido para lutar" são elementos recorrentes em sua narrativa, sustentando seu otimismo e determinação em face das adversidades.

Conclusão

A trajetória de Adaltiva de Medeiros Silva é um relato inspirador de como a paixão pela educação, a perseverança e o engajamento cívico podem moldar uma vida de significativo impacto social. Sua jornada reflete as profundas mudanças no Brasil do século XX e XXI, desde as condições rurais de subsistência até a modernização das políticas públicas, sempre com Adaltiva à frente, impulsionando melhorias e defendendo os direitos dos mais vulneráveis.

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Juarez Bezerra de Medeiros, nasceu em 22 de junho de 1950. Médico, teve uma trajetória política marcante em Acari. Sua primeira eleição para prefeito ocorreu em 1992, com mandato de 1993 a 1996. Em 2002, assumiu novamente a chefia do executivo municipal, devido à renúncia do Dr. Eduardo Fernandes Bezerra. Por fim, em 2004, foi reeleito, permanecendo no cargo até 2008.

Dos seus ancestrais temos Geraldo Magela Bezerra de Araújo, era filho de Antônio Máximo de Araújo e Francisca Bezerra de Araújo (tia do genealogista José Bezerra de Araújo). Nasceu aos 17/12/1920, em Acari-RN, e faleceu aos 26/04/1992, em Caicó-RN. Casou com Josefa Medeiros de Araújo, em 31/01/1948, em Acari RN, filha de Antônio Martiniano Dantas e Maria Paulina de Araújo, e foi adotada nos primeiros meses de vida por João Fortunato e Ana Clementina. Josefa nasceu em 01/05/1924, e faleceu aos 15/05/2018 em Caicó-RN. Dessa união, nasceram seis filhos: José Bezerra, Juarez Bezerra, Maria do Socorro (in memoriam), Lúcia Medeiros, João Bezerra e Josemar Bezerra.


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