quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

1936

 

Nascida Francisca Pires Dantas em 30 de março de 1936, na histórica Fazenda Ingá, no município de Acari, Francisca Pires Galvão ergue-se como uma figura emblemática da resiliência e do pioneirismo feminino no Seridó potiguar. Filha de João Rafael Dantas e Joana Petronila de Medeiros, sua trajetória iniciou-se sob auspícios de grande prestígio social, tendo sido batizada na propriedade da família Lamartine de Faria, onde seus pais residiam, apadrinhada por personalidades de relevo na história do Rio Grande do Norte: o Dr. Juvenal Lamartine de Faria e sua esposa, Silvina Bezerra de Araújo Galvão. Desde a infância, Francisca demonstrou uma avidez singular pelo saber, frequentando a Escola de Bulhões e enfrentando as intempéries do semiárido — como as longas caminhadas sob o sol e a travessia a nado do Rio Acauã durante as cheias — para nutrir o sonho de cursar a faculdade de Direito.

Sua jornada educacional foi marcada por desafios impostos tanto pela geografia quanto pela mentalidade austera da época. Ao concluir o ensino primário, deparou-se com a resistência paterna em permitir que estudasse na cidade, condição que seu pai atrelou a um evento climático improvável: a mudança só ocorreria se o barreiro do sítio transbordasse antes do início das aulas, em fevereiro. Movida por uma fé inabalável, Francisca recorreu à oração e viu a providência divina manifestar-se quando as chuvas de março fizeram o reservatório sangrar, permitindo-lhe ingressar no quinto ano do Grupo Escolar Tomás de Araújo, onde brilhou com a segunda maior média da turma. Sua audácia intelectual a levou, inclusive, a escrever ao então Presidente Juscelino Kubitschek, conquistando uma bolsa de estudos para Natal, oportunidade que, contudo, foi vetada pelo pai, receoso da mudança da filha para a capital. Resiliente, Francisca abraçou o magistério na mesma escola onde fora alfabetizada, iniciando ali um legado de afeto e ensino.

A vida pessoal de Francisca entrelaçou-se com a história de suas raízes durante o novenário de Nossa Senhora da Guia, quando o reencontro com o primo Antônio Pires Galvão, ao som da valsa "Royal Cinema" de Tonheca Dantas, floresceu em um matrimônio celebrado em 23 de agosto de 1958. Dessa união, que lhe conferiu o sobrenome Pires Galvão, nasceram os filhos Frania de Fátima, Joana D'Arc e Jonéas Antônio, perpetuando uma linhagem que honra a força de matriarcas como a avó materna, a artesã Maria Thereza de Jesus, e a avó paterna, Maria Benta de Albuquerque Galvão. A ancestralidade de Francisca, conhecida carinhosamente como "Chiquinha Pires", remonta a laços consanguíneos profundos, unindo primos legítimos e reafirmando a identidade familiar seridoense.

Sua vocação para servir à coletividade expandiu-se do magistério para a esfera política e administrativa. Aprovada em primeiro lugar no concurso público municipal durante a gestão de Silvino Adonias Bezerra Filho, lecionou na Escola Enéas Pires Galvão até 1975, quando a prioridade pela educação dos filhos motivou sua mudança para a zona urbana. Nesse mesmo ano, foi eleita vereadora pelo MDB, exercendo um mandato de seis anos pautado pela responsabilidade fiscalizadora e sensibilidade social. Todas as suas proposições foram aprovadas por unanimidade, destacando-se a luta por melhorias na infraestrutura, saúde e educação, como a solicitação de verbas para a maternidade local, a implementação de transporte escolar rural e a construção de uma lavanderia pública para as trabalhadoras do entorno do Açude Gargalheiras. Além de sua atuação legislativa, Francisca revelou-se uma mulher à frente de seu tempo ao identificar o potencial mineral de Acari e ao expressar sua sensibilidade artística transformando pedras brutas do Seridó em artesanato, consolidando-se, conforme documentado na obra genealógica de Anderson Tavares de Lyra, como um testemunho vivo da força, inteligência e determinação da mulher sertaneja.

ANA ROSA DE MEDEIROS  (1936 - 1990)  Filha de Raimundo Celestino de Medeiros e Adélia Dias de Medeiros. Esposa de Júlio Bezerra de Araújo (1904 - 1997). Genitora de Júlio Bezerra de Araújo Filho  (1962/), casado com Aldeci Dantas de Araújo;  Maria Izabel Bezerra de Araújo Santos (1958/), casada com José Manoel dos Santos (1953);  José Bezerra de Araújo  (1969/) emérito genealogista, casado com Rosinalva da Silva Bezerra (1972); Juarez Bezerra de Araújo (1966/); Adriana Bezerra de Araújo (1974). 


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1980