terça-feira, 2 de dezembro de 2025

1912

 

  MANOEL BEZERRA DE ARAÚJO (1912 - 2008) Filho de Emetério Bezerra de Araújo Galvão. Genitor de Tarcísio Bezerra Galvão, Nemélio Bezerra Galvão e outros. 

Sob os céus do Seridó, onde a caatinga se encontra com as altitudes amenas da Serra de Santana, desponta a figura monumental do Padre Sinval Laurentino de Medeiros, nascido em 1912, um homem cuja trajetória transcendeu o sacerdócio para se tornar o artífice de uma nova geografia humana e política no Rio Grande do Norte. Filho de Tenente Laurentino Cruz — singularidade genealógica de um padre que gerou filhos e cujo nome batizaria a futura urbe —, Sinval carregava em si a dualidade do sagrado e do profano, do rito religioso e da pragmática administrativa. Sua visão, qual a de um profeta que enxerga o oásis no deserto, pousou sobre o isolamento do "Alto da Serra", antigo reduto dos índios Tupi-guarani e Tapuia na Serra do Macaguá, onde vislumbrou não apenas um povoado, mas uma cidade vibrante, desafiando o ceticismo de seus pares e a resistência política da Câmara de Florânia, que temia o atraso, mas acabou por aprovar, por estreita margem, o sonho que se tornaria pedra e cal.

Investido na prefeitura de Florânia em 1977, Padre Sinval não se contentou com a gestão burocrática; agiu como um verdadeiro desbravador, adquirindo as terras de Chico Demétrio para fundar, em setembro daquele mesmo ano, o povoado que levaria o nome de seu genitor. Com espírito empreendedor e estratégias que hoje seriam chamadas de visionárias, utilizou gatilhos mentais e incentivos práticos para povoar o local, oferecendo prêmios à primeira construção e ao primeiro nascimento, despertando o orgulho e a esperança numa gente acostumada a peregrinar longas léguas em busca de socorro médico ou comércio. Sua administração foi marcada por um rigor ético inegociável, recusando o clientelismo e o "casamento de fachada", defendendo que o voto, tal qual o sacramento, deveria ser sagrado e puro, livre das maculas da compra e venda de consciências. Organizou a administração pública com mão de ferro e coração de pai, não permitindo ociosidade nos corredores do poder e utilizando o serviço de alto-falantes como um púlpito cívico, de onde orientava, educava e convocava o povo ao trabalho e ao planejamento.

A materialização de seu sonho deu-se através de obras estruturantes que trouxeram dignidade ao sertanejo serrano: a abertura de poços, a construção de açudes para mitigar a sede secular, a erradicação das casas de taipa insalubres em favor de alvenaria digna, e o milagre da luz elétrica, promessa cumprida em tempo recorde que iluminou não só as ruas, mas o futuro daquelas famílias. O povoado cresceu vertiginosamente, atraído pela fertilidade das terras e pelo clima singular, o mais frio do estado, onde a neblina serrana beija o solo a 730 metros de altitude. A profecia do Padre Sinval, de que aquele chão tinha "cheiro de cidade", cumpriu-se plenamente em 16 de julho de 1993, quando a lei sancionada pelo governador José Agripino Maia emancipou Tenente Laurentino Cruz, desmembrando-a de Florânia. Hoje, a memória do "Prefeito Desbravador e Visionário", que soube conciliar a fé com a obra, a oração com a ação política honesta, permanece viva em cada rua pavimentada e em cada colheita daquela serra, eternizando o legado de um homem que não apenas governou, mas fundou uma civilização no topo da montanha.

  CARLOS PEREIRA DE ARAÚJO   (1912/1983). 

 SÉRVULO PEREIRA DE ARAÚJO (1912-1952)


Sérvulo Pereira de Araújo, filho de Tomaz Pereira (que dá nome a uma praça central da cidade), foi uma figura política importante. Ele se candidatou a prefeito de Currais Novos na primeira eleição após o Estado Novo, em 21 de março de 1948, em meio à redemocratização do país.

Além de sua participação na política de Currais Novos, Sérvulo Pereira foi o primeiro prefeito constitucional de Cerro Corá, eleito em 3 de outubro de 1954. Representando o partido União Democrática Nacional (UDN), ele teve José Justiniano de Melo como vice-prefeito. Mais tarde, na segunda metade da década de 1960, ele voltaria a ocupar o cargo. Sérvulo Pereira é também o pai de Clotilde Pereira.


 filho do patriarca Tomaz, que dá nome à praça central da cidade, foi candidato a prefeito de Currais Novos na primeira eleição após o Estado Novo de Getúlio Vargas, em 21 de março de 1948. Naquele período de redemocratização, o jornal Diário de Natal especulava sobre os possíveis candidatos nos 28 municípios do estado. Na edição de 11 de janeiro, o jornal apontou Sérvulo, filiado à União Democrática Nacional (UDN), como cabeça de chapa, enquanto seu adversário seria Alcindo Gomes de Melo, do PSD. No entanto, quem acabou eleito foi o agrônomo Sílvio Bezerra de Melo, também da UDN, que iniciou seu mandato de cinco anos em 31 de janeiro de 1953. Sílvio era filho do desembargador Tomás Salustino.

Uma das primeiras menções a Sérvulo na imprensa foi em uma nota de 1936, no jornal A Ordem, que o descrevia como sócio da firma "Sérvulo Pereira & Companhia" e diretor da "philarmonica" de Cerro Corá, então um próspero povoado de Currais Novos.

Anos depois, o saudoso Sérvulo Pereira de Araújo se tornou uma das figuras mais importantes para a emancipação de Cerro Corá. Em 1953, o município foi desmembrado de Currais Novos e, no ano seguinte, instalado pelo governador Sílvio Pedroza.

Sérvulo foi o primeiro prefeito constitucional de Cerro Corá. Em 31 de janeiro de 1965, ele assumiu novamente o cargo. Nessa eleição, ocorreu uma divergência familiar: o Coronel Severino Bezerra de Andrade era o candidato a vice em sua chapa, mas seu irmão, Francisco Pereira, em protesto, se candidatou e venceu, tornando-se vice-prefeito com uma diferença de 54 votos.



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1980